Feliz dia do pais, Mãe!

Então hoje é dia dos pais, longe de mim querer ser a amargurada que estraga a comemoração alheia, mas, – sei que você está pensando que nada de bom vem depois do mas – pode relaxar que esse é só mais um texto de inicio de tarde. Pra começar, o dia de hoje sempre foi um dia comum sem qualquer sentido mais íntimo para a minha pessoa, nunca precisei comprar cuecas ou meias para presentear alguém.

Cresci ouvindo que deveria ser uma menina boazinha, comer legumes e aprender a me virar sozinha, lição dura que parecia urgente ser captada desde cedo e na marra como ela também tivera que aprender. Ela é como chamarei uma pessoa de um metro e sessenta, que cresce além das nuvens quando preciso, também conhecida como minha mãe. Acontece que o campo filiação nos meus documentos é meio preenchido, meio em branco, se para aquela garota magricela isso nunca fez diferença, para a moça adulta muito menos.

Quando me perguntam se eu sofria com isso, só posso pensar na sexta-feira em que tive uma forte crise de bronquite, sendo obrigada a passar dois longos dias das férias no hospital e quando olhava para o lado da cama, sonolenta, dolorida, era ela quem estava lá, velando cada segundo do meu sono.

Confesso que estou carregando estás palavras desde o dia das mães, queria escrever algo pra ela, só não sei dizer o motivo de não conseguir dar cabo desses parágrafos, sempre escrevendo e reescrevendo, parecia que o fim jamais poderia ser achado, afinal, o que dizer sobre uma pessoa que viveu para que você pudesse hoje estar inteira e feliz? Sempre penso no que minha criação a custou, quantos sonhos ficaram para depois? Sei lá, esse é o trecho onde escrevo sem parar sobre o mais puro sentimentalismo que habita em mim.

Vamos ao fatos. Nesta data especial, quando era uma das poucas crianças que não tinha a quem escrever um cartão, não lembro de se quer me incomodar com isso, escrevia para ela independente de que data fosse, pois fora ela quem me ensinara a andar de bicicleta, ela quem segurara minha mão na hora de tomar injeção, ela quem suportara todo tipo de crise por ser mãe solteira e mesmo criança, sempre tive consciência do nível de gratidão que devia-a, algo imensamente proporcional ao amor que existia em nossa relação.

Quando eu me formei na faculdade, a foto de família parecia sobrar espaço, no entanto, era só observar o olhar orgulhoso por cada degrau que galguei, daquela que a vida toda encarara dupla jornada em ser pai e mãe, que parecia faltar lugar até mesmo para nossas silhuetas na imagem.

Fora as ilusões da vida, sou mulher bem formada e informada, e se sou o que sou, só devo a ela, o exemplo vivo que precisei para abastecer meus estudos antropológicos de menina curiosa. Acho que não sou a única a se sentir assim hoje, não menosprezamos famílias compostas de mais de uma figura, com seus papeis bem designados, mas a nossas realidades envolvem duas datas no ano para celebrar a mulher que domina como ninguém a arte de criar um filho. Então, feliz dia dos pais, Mãe!

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